Combustível certo, na hora certa, na quantidade certa.
Estratégia de CARBO · SÓDIO · LÍQUIDO por distância, clima e perfil — com carb load, plano de prova e comida real. Baseado em evidência 2024–2026.
01
Configuração da prova
Race Briefing
Atleta · Input Panel
kg
teste em treino, peso antes/depois
"salty sweater" = manchas brancas na roupa
+ umidade altera necessidade
nunca testar novo na prova
testar tolerância em treinos longos
02
Distância da prova
Race Distance
03
HUD · Alvos personalizados
Primary Targets
04
Carb load · pré-prova
Glycogen Maximization
Glicogênio é finito (~90–120 min de trabalho moderado-duro) e binda com água — hidratar bem é parte do load[1]. Aumentar para 8–12 g/kg/dia por 2–3 dias antes da prova eleva estoques 25–100% acima do normal e estende time-to-fatigue[2]. Aborte abaixo de 70.3 — em provas curtas o load completo não compensa o desconforto.
Estratégia geralAumente carbs, não calorias. Reduza fibra, fritura, álcool e laticínios pesados. Refeições menores, mais frequentes. Use carbs familiares — race week não é hora de experimentar.
Atletas femininas
Pesquisa sugere variação por fatores hormonais — pode funcionar melhor intake consistente alta durante a semana vs load curto e intenso[1].
05
Timeline da prova
Mission Flight Plan
Estratégia Pro (linhas destacadas)
Pros como Magnus Ditlev e Kristian Blummenfelt consomem 200+ g CHO antes do swim e 80–100 g em T1 antes da bike[3]. Cameron Wurf bateu o recorde do IM Texas (3:53 bike) fuelando ~200 g/h sustained[4]. Não é para amador, mas mostra para onde o teto vai.
06
Tabela de dosagem
Hourly Breakdown
Bloco
Tipo
CHO/h
Líquido/h
Sódio/h
Cafeína
07
Gut training · progressão
Train the Gut
O intestino é treinável[5]. Subir CHO/h em passos de 10–15 g a cada 2–3 semanas, replicando produtos e cadência da prova. Atleta que começa em 60 g/h pode chegar a 100–110 g/h em 12 semanas[6].
Ajuste baseado no seu alvo. Sempre em treinos longos, nunca em treinos intensos. Repetir o produto, sabor e cadência da prova.
08
Comida real · alternativa econômica
Real Food Fueling
Géis são convenientes, não obrigatórios. Estudo comparou purê de batata vs gel a 60 g/h em ciclistas: performance idêntica em time-trial[7]. Na bike (mais estável, menos jostle), comida real funciona bem; no run, géis vencem na praticidade. Para carb load e café da manhã, comida real é regra.
Alimento
CHO
Melhor uso
R$/g CHO
Aveia (60g seca)
~40g
Café da manhã pré-prova
≈ 0,02
Arroz branco cozido (200g)
~55–60g
Jantar pré-prova / refeição base
≈ 0,01
Macarrão cozido (180–200g)
~55–60g
Jantar pré-prova / carb load
≈ 0,02
Batata cozida (200g)
~35–40g
Fuel real na bike (salgada)
≈ 0,02
Bagel / pão de forma + mel
~60–65g
Café da manhã / top-up
≈ 0,03
Banana (1 média)
~25–27g
Pré-largada / mid-race bike
≈ 0,04
Tâmaras (5 unidades)
~30g
Snack denso / bolso de tri-suit
≈ 0,12
Cola (350ml lata)
~37g
Run · final de prova (cafeína)
≈ 0,11
Leite com chocolate (500ml)
~45–50g
Pós-treino (+18g proteína)
≈ 0,08
Smoothie banana+aveia+mel
~50–70g
Pós-prova / quando apetite some
≈ 0,04
Estratégia híbrida (economia + tolerância)Bike: garrafa de drink mix DIY + 1 banana ou 50g de batata salgada a cada 30 min. Run: géis (praticidade) + cola no final. Carb load: comida real, sempre. Custo total da prova pode cair pela metade vs estratégia 100% gel.
09
Produtos no Brasil · razão Na:CHO
Fuel Comparator
A métrica decisiva para clima brasileiro: razão sódio:carboidrato (mg Na por g CHO). Acima de 10 = adequado para calor intenso (Florianópolis, Búzios, Brasília no verão). Entre 5–10 = clima moderado. Abaixo de 5 = exige complementar sal por fora[8].
Z2 Energy Gel Everyday
Z2 Performance · Brasil
Na : CHO3.4
25g CHO85 mg Na2:1:1 mixsem cafeína
≈ R$ 8–10/un · R$ 0,32–0,40/g CHO
Carb-Up Gel Energy
Probiótica · Brasil
Na : CHO0.8
28g CHO23 mg Namalto + frutosecafeína opcional
≈ R$ 5–7/un · R$ 0,18–0,25/g CHO
GU Energy Gel
GU Energy · importado
Na : CHO5.4
22g CHO125 mg Namalto + frutosecaf. opcional
≈ R$ 14–18/un · R$ 0,64–0,82/g CHO
Maurten Gel 100
Maurten · premium
Na : CHO1.4
25g CHO35 mg Nahidrogel 1:0.8↓ risco GI
≈ R$ 28–35/un · R$ 1,12–1,40/g CHO
Limitação do mercado BRNenhum produto BR atinge Na:CHO > 10. Comparado a Precision PF60 (16.7) ou Tailwind (12.4), todos os disponíveis aqui ficam baixos em sódio. Para clima quente brasileiro, é necessário complementar sódio via cápsulas (saltz Z2, salt stick), sal de cozinha em comida real, ou usar a receita DIY abaixo.
DIY · Drink Mix
Receita base · garrafa de 750ml para clima quente
60g
Maltodextrina
~ R$ 1,80 (em pó, granel)
30g
Frutose (ou açúcar refinado)
razão 2:1 glicose:frutose
1g
Sal de cozinha (NaCl)
~ 400mg de sódio
30ml
Suco de limão
sabor + acidez
Totais por garrafa:90 g CHO · 400 mg Na · razão 4.4 mg/g · custo ≈ R$ 2,50 vs Maurten 320: 80g CHO · ~35mg Na · custo ≈ R$ 60 — DIY é 24× mais barato e tem 11× mais sódio
Suba 0.5g de sal por garrafa se for "salty sweater". Combine 1 garrafa DIY/h com 1 banana ou batata salgada a cada 45 min na bike.
10
Princípios não-negociáveis
Standard Operating Procedures
Treine o que vai usarNada novo na prova. Cada gel, sabor, marca, temperatura, cadência e volume deve ter sido testado em treinos longos similares à prova.
Comece a fuelar cedo
Primeira dose 15–20 min após T1. Não dá pra recuperar depois — esvaziamento gástrico cai com intensidade e duração[6].
Glicose:frutose 2:1 acima de 60 g/h
Mix de transportadores (SGLT1 + GLUT5) permite absorção de até 90 g/h vs ~60 g/h só com glicose[9].
Hidratação · nunca terminar mais pesado
Bebida em excesso + suor com sódio = risco de hiponatremia. Use sede + taxa de suor + contexto. Sódio não corrige pacing ruim[10].
11
Checklist final · 72h antes
Pre-Flight Check
72–48h antes
Iniciar carb load (ver seção 04 para gramas/dia)
Reduzir fibra 24–72h antes
Hidratar com eletrólitos (não só água)
Conferir todos os produtos da prova
Treinar leve, dormir cedo
Manhã da prova
Café da manhã 3h antes: 1–4 g/kg CHO
500–750 ml líquido + eletrólitos 2–3h antes
Sip de 150–300 ml até 15 min antes
Última dose CHO 15 min antes (gel + água)
Cafeína 30–60 min antes (se for usar)
Referências
T100 Triathlon (2025). Best Foods for Carb Loading: A Triathlete's Guide. t100triathlon.com
Burke L, Hawley J, Wong S, Jeukendrup A. (2011). Carbohydrates for training and competition. J Sports Sciences 29 Suppl 1: S17–S27.
Triathlete Magazine (2025). How Ironman World Championship Pros Use High-Carb Fueling. triathlete.com
Triathlete Magazine (2025). High-Carb Drink Mixes for Endurance Athletes. triathlete.com
Jeukendrup A. (2017). Training the Gut for Athletes. Sports Medicine 47 (Suppl 1): S101–S110.
Roadman Cycling (2026). Triathlon Bike Nutrition: Fuel the Bike, Save the Run. roadmancycling.com
Salvador AF, McKenna CF, Alamilla RA et al. (2019). Potato Ingestion is as Effective as Carbohydrate Gels to Support Prolonged Cycling Performance. J Appl Physiol 127:1651–1659.
IronmanHacks (2024). Ironman Nutrition: The Best Carb Mixes of 2024. ironmanhacks.com
Jeukendrup A. (2014). A Step Towards Personalized Sports Nutrition: Carbohydrate Intake During Exercise. Sports Medicine 44 (Suppl 1): S25–S33.
Hew-Butler T et al. (2015). 3rd International Exercise-Associated Hyponatremia Consensus. Clin J Sport Med 25(4):303–320.
Rouvy (2026). Best Carbohydrate Sources for Triathletes. rouvy.com
Triathlete Magazine (2025). The Best Energy Gels for Triathlon, Running, and Cycling. triathlete.com
Aviso legal · citações e fontes
Atletas profissionais.
Menções a atletas como Magnus Ditlev, Kristian Blummenfelt e Cameron Wurf são informações públicas
extraídas de reportagens jornalísticas (Triathlete Magazine, IronmanHacks, Roadman Cycling) sobre suas estratégias de fueling em prova.
O LMAeroFit não tem qualquer afiliação, contrato ou endorsement com esses atletas. As citações servem apenas como referência
do estado da arte do fueling em alta performance.
Marcas e produtos.
Marcas comerciais citadas (Maurten, Precision Hydration, Skratch, GU, Power, Pacific, Probiotica, Z-Caps e outras)
pertencem aos respectivos fabricantes. O LMAeroFit é uma ferramenta independente, sem patrocínio
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Citações científicas.
Estudos científicos citados (Jeukendrup, Burke, Hew-Butler, Salvador et al.) seguem norma acadêmica padrão de referência —
autor, ano, periódico. Conteúdo é resumido em linguagem técnica brasileira, sem reprodução literal dos textos originais.
Caráter informativo.
Esta ferramenta tem caráter educativo e orientativo, não constitui prescrição nutricional.
Recomendações de carbo, sódio e hidratação são alvos baseados em literatura científica e devem ser individualizadas
com nutricionista esportivo, especialmente em casos de comorbidades, gestação, diabetes, doenças renais ou outras condições clínicas.